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O capítulo abre onde o anterior parou, mas dá o passo seguinte: Victor de fato entra na Livraria Maré Alta, a loja de bairro onde Asri trabalha meio período, encravada numa esquina da Rua do Cais sob um toldo verde desbotado, cheirando a papel velho e maresia que entra pela porta aberta. É a primeira vez que ele a vê no território dela — de avental, atrás do balcão, com o clipe de metal preso de lado — e o desconforto se inverte: agora é Asri quem tem o poder de casa, e Victor quem não sabe onde pôr as mãos. Dona Perpétua, a dona idosa e afiada da livraria, observa tudo por cima dos óculos e faz um comentário seco ('então é esse o menino do bilhete'), constrangendo Asri e revelando a Victor que ela guardou aquela conta resolvida do capítulo 1. O objetivo de Asri no capítulo é fingir naturalidade enquanto o mostra a seção de design gráfico — livros de tipografia, catálogos de pôsteres de festivais portuários antigos de Portoverde — e o obstáculo é ela não querer expor o quanto isso importa pra ela. A virada emocional acontece quando Victor pega um caderno de esboços dela deixado no balcão, cheio de letterings e logos inventados para lojas fictícias, e em vez de zombar, aponta a proporção áurea escondida num desenho que ela fez por instinto. Asri se irrita ('não fiz de propósito') e depois se cala, porque ele acabou de dizer, do jeito dele, que o trabalho dela é bonito. Beats sensoriais memoráveis: a sineta enferrujada da porta tocando quando um cliente humano entra, olha Asri de esguelha e sai sem comprar nada — e Victor percebe o gesto pela primeira vez, entendendo em silêncio o cansaço do capítulo 2; e a luz do fim de tarde entrando enviesada, fazendo o pelo branco dos braços dela brilhar de leve enquanto ela recoloca livros na prateleira alta. O capítulo termina com Dona Perpétua mandando Asri 'levar o menino até o ponto de ônibus antes que escureça', e os dois na calçada da Rua do Cais, Victor dizendo que volta sábado — não pelos livros. Asri responde 'sei' com as orelhas subindo de novo, e o narrador fecha com a ideia de que agora existe um lugar, além da carteira e da biblioteca, onde os dois se encontram. Prepara o próximo capítulo ao plantar Mica, que passa de bicicleta pela orla e vê os dois juntos — testemunha que espalhará a novidade no grupo.