QUIMERAS — Festival da Maré Baixa, Page 17
By victor_vilmor_D_S · Published
Log in to see this page
Page 17 of Festival da Maré Baixa is for signed-in readers. Logging in brings you straight back here — and an account is free if you do not have one.
Transcript
A horned, white-haired person in a hoodie and a boy with glasses and a backpack walk along a cobblestone path lined with lamps; three people are farther ahead. The white-haired person says, “Eles não vão esperar a gente.” The white-haired person says, “Você não anda devagar.” The boy says, “...deixa. Eu ando devagar.” The boy says, “Hoje ando.” In the next scene, the two are seen from behind walking toward a group farther down the path. Narration: “A curva das cordas de lampião pendurava exatamente igual sobre eles. Uma cantanéria. Bonita — de um jeito diferente.”
Image description
A white-haired person with horns and a dark hoodie walks beside a curly-haired boy with glasses and a backpack along a lamp-lit cobblestone path, then they are seen from behind walking toward a group ahead.
About this chapter
Sábado ao entardecer na orla de Portoverde, no antigo cais de pescadores onde acontece o Festival da Maré Baixa — o mesmo dos cartazes desbotados que Asri mostrou a Victor na Livraria Maré Alta. Barracas de peixe frito, redes penduradas como decoração, lampiões de vidro pendurados em cordas entre postes, e o cheiro de maresia misturado com óleo quente e melado de rapadura. O objetivo de Asri no capítulo é sobreviver à primeira saída em grupo sem que ninguém transforme a coisa dela e do Victor em espetáculo; o obstáculo é que o próprio grupo é a plateia que ela temia. A primeira cena de tensão vem logo no ponto de encontro, embaixo do arco de madeira com a placa antiga 'PORTOVERDE — 1897': Mica chega puxando todo mundo, Ren vem atrás com as mãos nos bolsos ainda sem saber como agir perto de Asri, e Luzia aparece já no alto de uma pilastra de pedra, comendo algo, observando. Victor chega por último, e o silêncio constrangido entre ele e Asri diante dos outros é o primeiro nó. A virada acontece quando o grupo se divide sem querer: Mica arrasta Luzia para a barraca de tiro ao alvo, e Asri, Victor e Ren ficam presos juntos na fila de uma barraca de caldo de peixe. Ren, encurralado, finalmente faz o que devia ter feito no capítulo 2 — pede desculpas de verdade, sem piada, dizendo que 'achou que era só zoeira porque ele também é quimera, mas isso não dava direito nenhum'. Asri, que esperava raiva e recebe honestidade, não sabe onde botar as orelhas. O primeiro beat sensorial memorável é o momento em que os lampiões acendem todos de uma vez ao escurecer e o cais inteiro fica dourado — e Victor, sem pensar, comenta que a curva das cordas de lampião forma catenárias, e Asri ri de verdade pela primeira vez no capítulo, o riso escapando antes do escudo. O segundo beat é os cinco no fim do quebra-mar, sentados nas pedras molhadas de frente pro mar escuro, dividindo pastel, e Luzia — do alto de uma pedra maior — soltando a pergunta que ninguém teve coragem: 'então vocês dois são o quê, afinal?'. Asri não responde; Victor também não; mas nenhum dos dois nega, e o silêncio compartilhado diz mais que qualquer palavra. O capítulo termina com fogos baratos estourando sobre a água, o grupo olhando pra cima, e Asri percebendo que deixou essas pessoas entrarem sem sentir dor — as orelhas relaxadas pela primeira vez em cinco capítulos. O narrador fecha notando que o medo de ter plateia virou algo diferente: uma companhia. Prepara o próximo capítulo ao plantar um detalhe — Victor, no caminho de volta, ficando pra trás com Asri enquanto os outros seguem à frente.