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QUIMERAS — Festival da Maré Baixa, Page 11

By victor_vilmor_D_S · Published

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Transcript

At a crowded night market, a black-haired boy points toward the strings of lights as he speaks to a horned blond girl and a fox-eared boy. Black-haired boy: “A curva das cordas.” “Não é um arco de círculo, é uma catenária — a forma que um fio faz pendurado pelo próprio peso.” “Tem uma equação e tudo.” Horned blond girl: “Pfff— sério? A cidade inteira acende lampião mágico e você vê... a EQUAÇÃO?” Black-haired boy: “A equação é bonita também. Só... de um jeito diferente.” Horned blond girl: “Você é impossível, Vieira.” The fox-eared boy, quietly: “(baixinho) ...ah. É isso então.” In the final scene, a girl holds a huge fish overhead as the horned blond girl looks on. Girl: “OLHA! OLHA O QUE A GENTE GANHOU!” “É um PEIXE! Melhor ainda!” Horned blond girl: “...isso não é um tubarão.” Sound effect: “*TCHARAM*”

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A black-haired boy points toward strings of lights while talking with a horned blond girl and a fox-eared boy in a crowded night market, and a girl later raises a huge fish overhead.

About this chapter

Sábado ao entardecer na orla de Portoverde, no antigo cais de pescadores onde acontece o Festival da Maré Baixa — o mesmo dos cartazes desbotados que Asri mostrou a Victor na Livraria Maré Alta. Barracas de peixe frito, redes penduradas como decoração, lampiões de vidro pendurados em cordas entre postes, e o cheiro de maresia misturado com óleo quente e melado de rapadura. O objetivo de Asri no capítulo é sobreviver à primeira saída em grupo sem que ninguém transforme a coisa dela e do Victor em espetáculo; o obstáculo é que o próprio grupo é a plateia que ela temia. A primeira cena de tensão vem logo no ponto de encontro, embaixo do arco de madeira com a placa antiga 'PORTOVERDE — 1897': Mica chega puxando todo mundo, Ren vem atrás com as mãos nos bolsos ainda sem saber como agir perto de Asri, e Luzia aparece já no alto de uma pilastra de pedra, comendo algo, observando. Victor chega por último, e o silêncio constrangido entre ele e Asri diante dos outros é o primeiro nó. A virada acontece quando o grupo se divide sem querer: Mica arrasta Luzia para a barraca de tiro ao alvo, e Asri, Victor e Ren ficam presos juntos na fila de uma barraca de caldo de peixe. Ren, encurralado, finalmente faz o que devia ter feito no capítulo 2 — pede desculpas de verdade, sem piada, dizendo que 'achou que era só zoeira porque ele também é quimera, mas isso não dava direito nenhum'. Asri, que esperava raiva e recebe honestidade, não sabe onde botar as orelhas. O primeiro beat sensorial memorável é o momento em que os lampiões acendem todos de uma vez ao escurecer e o cais inteiro fica dourado — e Victor, sem pensar, comenta que a curva das cordas de lampião forma catenárias, e Asri ri de verdade pela primeira vez no capítulo, o riso escapando antes do escudo. O segundo beat é os cinco no fim do quebra-mar, sentados nas pedras molhadas de frente pro mar escuro, dividindo pastel, e Luzia — do alto de uma pedra maior — soltando a pergunta que ninguém teve coragem: 'então vocês dois são o quê, afinal?'. Asri não responde; Victor também não; mas nenhum dos dois nega, e o silêncio compartilhado diz mais que qualquer palavra. O capítulo termina com fogos baratos estourando sobre a água, o grupo olhando pra cima, e Asri percebendo que deixou essas pessoas entrarem sem sentir dor — as orelhas relaxadas pela primeira vez em cinco capítulos. O narrador fecha notando que o medo de ter plateia virou algo diferente: uma companhia. Prepara o próximo capítulo ao plantar um detalhe — Victor, no caminho de volta, ficando pra trás com Asri enquanto os outros seguem à frente.